Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Espera pra ver
18 de outubro de 2017 às 12:36 AM | por Lorena Gonzalez Leal.
Eu nunca gostei da espera. As grandes nem as pequenas, fosse esperar os meses pro natal ou os minutos pra pizza chegar. Salas de espera, então, eram meu maior pesadelo. Eu sempre tive pavor de esperas até a primeira vez que ela me deu um tapa. A mão cheia na minha bunda estalando em mim, além das suas digitais, o começo de uma nova era. 
Agora eu, que morria de medo de esperas, tremo de excitação quando sinto os sinais do que vai vir. Alguns milésimos de segundo em que eu sinto toda a energia que a estática da sua mão puxa da minha pele. Eu sinto a vibração suave do movimento que seu braço faz, o deslocamento do ar, de olhos abertos ou fechados, não faz diferença, já sei de cor o caminho das mãos. 
Minha bunda grita formigando pela palma da sua mão, violenta, arde em expectativa pelo encontro, pelo choque. Estremeço inteira, da cabeça aos pés, implorando com os olhos e com a pouca voz que me resta. Você sorri com a súplica, não preciso nem olhar pra saber, e isso aumenta mais o prazer. Melhor que o tapa, só essa espera infinita e o gemido que escapa da garganta.  

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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