Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Sobre fugas, partidas e desculpas
22 de agosto de 2017 às 11:00 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
      Agora eu entendo porque você foi embora em silêncio, levando todas as suas coisas às escondidas, como se nunca tivesse existido no mesmo espaço que eu. Alguns adeus são difíceis demais de dar, algumas explicações doem mais que resposta nenhuma. Afinal, como explicar em palavras que aquilo que foi familiar e confortável por tanto tempo de repente machuca? Até porque essas palavras concretizam a dor. Às vezes é mais fácil simplesmente aproveitar as oportunidades de arrumar as malas e partir. 
          Partir sem histórias, sem desculpas, sem culpado. Porque você sabia que eu não tinha culpa, que eu não fiz nada além de tentar viver o meu eu, que eu me descobria ao mesmo tempo que me perdia e que perdia tantas outras coisas, como perdi você. Você acelerou o processo pra não ser perder de si mesma. Eu procurei respostas em todos os lugares errados, procurei em mim, procurei em você, procurei na história das duas meninas que se conheceram há tanto tempo atrás. Mas as respostas estavam na partida. Pura e simplesmente. A partida que se deu tão abrupta pra mim, mas que deve ter sido calculada por dias e noites por você. 
            E esse planejamento deve ter doído tanto quanto doeu a minha busca por respostas e essa dor é ainda menor do que teria sido a dor das explicações. A dor de entender que somos isentas de culpa, que não existem monstros nem vilões, mas que às vezes as presenças pesam mais que a ausência. Eu nunca quis te podar (e você sempre soube disso), mas no meu não querer acabei fazendo pior nomeando todas as suas folhas e entregando uma minha para cada uma que caía de você. No meu não querer fiz pior te prendendo ao que eu conhecia, ao que fazia parte de mim.
        Não houve falsidade no que a gente viveu, nem diminuição, foi tudo sincero ao seu tempo e você não merece carregar pedras por ter tido coragem de partir. Vamos só deixar as pedras no caminho que ainda é tão longo e aproveitar que hoje não dói lembrar, não dói saber que você existe em outro universo independente de mim. Não dói saber que você foi embora, mesmo sem ter saído do lugar. 

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Propriedade privada
4 de agosto de 2017 às 7:30 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
Não tem nós
tem você
e você tem eu
e eu tenho um coração cheio de medo
eu tenho um peito cheio de aperto
tenho um amor vazio de mim

você tem eu
em todas as suas frases têm "eu"
todos os seus planos têm "eu"
todos os sentidos são seus
você me tem
e nunca me deu o nós



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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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