Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Rua Augusta
12 de outubro de 2015 às 11:26 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
          Dois olhos negros, por dentro e por fora. Dois círculos escuros num rosto tão pálido. Redondo e branco. O nariz como um monte emergindo da neve. Alpes suíços. A boca roxa. Sempre roxa. Como se estivesse congelado por dentro. Sempre com frio. E tão quente por fora. Torto. Sempre torto. O olhar torto, o discurso torto, o jeito torto de se relacionar. As mãos grandes sempre ocupadas. Trabalhando. Produzindo. Criando seu mundo como ele mesmo fora um dia criado. 
          Pois parem as máquinas, ele está feito. Inventado e existindo. Correndo solto pelas entrelinhas de um livro qualquer. Um filme. Invisível aos olhos de quem quer ver. Cativando sem querer sonhos e sonhadoras. Irresponsável por tudo isso. Aparecendo e desaparecendo como aquela música de dez anos atrás que toca em todas as rádios e ninguém lembra o cantor. Como aquele meteoro que na verdade é um satélite e fica só dando voltas na Terra.
         E que terra é essa onde cabe você? Que terra tão repleta de almas desajustadas, saturadas de andarilhos, lotada de viajantes, farta de passeantes, que nem te notam. Essa terra onde não permitem a impunidade. Ainda assim, você se instala em cada buraco, cada canto, cada quina, cada estante. Tudo tem seu cheiro, seu nome e sobrenome. Nome de anjo. Anunciante do apocalipse. O fim dos tempos de todos os perdidos. E vai acabar em fogo. E em ressaca praqueles que resistirem. 

0 comentários

Posts antigos. | Posts mais novos.
Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




Agradecimentos.

Skin:Júlia Duarte.
Basecode:Jaja
Best view:Google Chrome