Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Bailarina
22 de junho de 2015 às 1:52 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
Princesa das nuvens, girando em palcos de estrelas cadentes. Inalcançável, salta de sonho em sonho, distante de todo tempo, desconhece qualquer realidade. Caçadora de estrelas, espera pacientemente o sol chegar para começar uma nova dança. Pequena ninfa das horas, corre na trilha de dinossauros mitológicos criando seu infinito com sereias do universo. Explorando eras inabitadas por homens de pouca fé. 
Carrega nos braços o mundo, abraçando os injustos com uma pureza inabalável. Cigana do vento, lê a sorte dos povos mortos, traduzindo línguas extintas, enxerga pra si um futuro de vidro e distribui histórias de luz pra quem lhe oferece a mão direita. Gladiadora incurável, sangra o sangue dos fantasmas que leva nos ombros, infiéis companheiros de viagem. Quimeras de açúcar que a perseguem além da vida.
Escrava branca de neologismos baratos, se pinta e rabisca pessoas inventadas, o rosto coberto por uma franja de ideias, na busca desesperada por um tempo que não fosse perdido. Pirata de um olho só, navegando por águas secas de esperanças perdidas na terra do nunca e do sempre e de vez em quando. Um mar de ressaca no olho que vigia tudo sem descanso, que não se prende à coisa alguma, delineado ou não.

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Acabou
16 de junho de 2015 às 2:09 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
A tinta da caneta
o papel
a fase boa

a música
as garrafas
as frases longas

você de madrugada

mas não precisa apagar
esquece a borracha
deixa as marcas no lençol

espera o sol

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Astronauta
2 de junho de 2015 às 1:09 AM | por Lorena Gonzalez Leal.
Guerreiro místico, viaja entre suas histórias fantásticas sobre tigres e a criação do universo. Náufrago dos seus próprios oceanos, luta com seus moinhos de vento inventando seu tempo. Esse tempo maior que o tempo. Maior que a história e as limitações gramaticais, pretérito perfeito e imperfeito no presente do subjuntivo. Arrastando-se por vielas escuras que começam hoje e terminam amanhã, mas não passam de uma lembrança distante de um passado que ainda virá. 
Inventor da pré-pré-história e da pangeia e do big bang, assiste do alto de sua plenitude a formação dos nós e de nós, viu o nascimento dos deuses e das musas e da dança e das dunas. Passava os dias descobrindo estrelas, criando planetas, percorrendo galáxias. Minerador de contos, com suas pedras e suas armas, guardião de segredos que mortal nenhum conseguiria carregar. Índio, precursor de todos os povos, amante cruel, pesado em sua ausência, presente em todos os átomos.
Não é imortal, mas quem o quereria ser? Sofre com suas perdas, sangra. Um sangue denso, quente, de um vermelho tão escuro, manchando o caminho com seu perfume, um cheiro calmo que contrasta com sua alma tempestuosa. Palhaço, poeta, cantor de festim. Pulando entre teorias numéricas e planos de expansão. Ultrapassando o próprio tempo numa corrida desesperada para chegar ao presente. Vivendo o antes, o agora e o depois num sonho alucinógeno, sempre um passo à frente de quem quer que tente alcançá-lo.   

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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