Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Faria Lima
3 de setembro de 2014 às 12:52 AM | por Lorena Gonzalez Leal.
Nunca escrevi sobre você
com os seus olhos verdes demorados no farol
o relógio pesando no pulso
e o tempo pesando nas costas

E aquela dúvida eterna
será que chove hoje ou não?
Talvez fosse melhor comprar um guarda-chuva.

Não escrevi sobre você
lendo (indignado) o jornal no ônibus
coçando a barba castanha
perdendo o bilhete único no bolso do blazer

E a pressa pra atravessar a rua
e chegar na porta da firma
junto com a Fulana do andar de baixo.

Nem vou escrever sobre você
com os olhos iguais aos meus piscando por causa da água
vivendo na correria de SP
como manda o figurino

E o modo como nunca olha pra trás
quando nos cruzamos no caminho.
Talvez eu deva comprar um guarda-chuva.

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




Agradecimentos.

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