Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Diz pra ele
17 de março de 2014 às 5:47 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
            Liga pra ele e diz "vem". Diz que ta com saudades e que vocês precisam ver juntos aquele filme novo que saiu no cinema. Diz que viu um vídeo que ele vai adorar e que você sente falta da risada dele. Diz que precisa de ajuda pra pintar sua casa, diz que sua lâmpada queimou e só ele alcança pra trocar. Diz que não sabe onde ele guardou as ferramentas. Diz que a geladeira ta fazendo aquele barulho estranho de novo. Diz que comprou uma tv nova e agora dá pra ligar o videogame. Diz que andou treinando e o desafia pra uma rodada daquele jogo. Diz que precisa de companhia pra correr no parque. Diz que quer saber o que ele acha desse seu novo projeto. Diz que esqueceu a senha do netflix, diz que perdeu o cartão da net, diz que deu pau na internet. Diz que precisa daquela chave reserva. Diz que vai ter um sambinha bom no domingo. Diz que quer devolver os livros que ele deixou, diz que vai devolver os discos, diz que sabe que foi ele que comprou aquele vinil. Diz que achou aquele personagem a cara dele. Diz que tem ingressos praquele show. Diz que quer comemorar a vitória do seu time. Diz que vai embora. Diz que é a última vez. Diz que é só pra por a conversa em dia. Diz que precisa daquele abraço. Diz que ta sozinha. Diz tudo aquilo que ensaiou. Diz tudo o que não disse aquele dia. Diz o clichê. Diz que o ama. Liga pra ele e diz "vem". Vai que numa dessas ele vem mesmo.

1 comentários

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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