Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Sobre a primeira vez
22 de agosto de 2013 às 7:44 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
Ela era assim, me pedia o mundo, mas não me cobrava nada. Os olhos sempre curiosos, castanhos. O sorriso pensando disfarçar todas as dúvidas só fazia com que eu me apaixonasse ainda mais. Os carinhos, os mimos, a fala mansa perdidos em meio a expressão séria e o jeito tenso. As inseguranças escondidas nas mãos firmes, a luz do poste timidamente invadindo a intimidade do carro encostado.
Com ela tudo é novidade o tempo todo, uma série de primeiras vezes, primeiras sensações, primeiros gostos, primeiros gestos. Sem nunca ter levado em consideração que eu odeio primeiras vezes, tenho pavor, me aterrorizam. Pra mim, primeiras vezes são como andar numa prancha em direção a um abismo mortal coberto de lâminas afiadas sem estar usando roupa nenhuma. Primeiras vezes são como me oferecer em sacrifício e ter que dançar até um caldeirão fervente. Ou ainda, me acorrentar a um tubarão e depois a um foguete e fazer a contagem regressiva pra decolagem.
É como se meu coração batesse rápido e alto demais e o ar ficasse muito pesado pra passar pelos meus pulmões. É uma agonia que começa na boca do estômago, um formigamento nas mãos e um zumbido na cabeça. É um tremor, um arrepio, uma sensação, um calor, um vento frio, um gozo, um peso, um vazio.
Chega a ser difícil concluir o pensamento (é a primeira vez que escrevo sobre ela), não que ela espere conclusões, não que ela espere qualquer coisa... Além dos meus braços, além de um décimo do meu tempo, além de um carinho ou outro. Ela só me quer do seu lado como naquela primeira vez. Ignora todos os meus medos e insiste nas primeiras vezes.  

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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