Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Só um lance
9 de dezembro de 2012 às 8:28 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
Desde o começo ficou claro que era só um lance e que não passaria disso. O que se pode esperar de um relacionamento que já começa com esse aviso? Deixamos todas as conversas sobre nós para quando já não existia nós, de repente era só vocês e eu. E foi tudo tão rápido que eu nem vi passar, acabou tão rápido quanto começou e não é de se espantar que o "período de luto" também tenha sido curto. Mas eu não posso negar que fui pega de surpresa, devo dizer que fiquei um pouco chateada, senti ciúmes, é normal que eu sinta, não é? Tentei achar desculpas, imaginei que você me odiasse e tivesse raiva de mim, por isso me substituiu tão rápido, talvez pra fingir que eu não existisse. Mas nada disso é verdade... Também tentei te substituir, mas o que tinha pra ser substituído? Eu tive medo, sei disso agora, estava assustada, não sei lidar com relacionamentos, e você... Não sei se eu tenho o direito de dizer isso, mas você não ajudou em nada. Você aceitou meus medos como desculpa, aceitou meus motivos como seus... Eu queria que você me confrontasse, que você não aceitasse tudo o que eu dizia. Eu queria que você insistisse pra eu conhecer sua mãe, que você insistisse pra eu almoçar com você, que você insistisse pra eu te ver no ano novo, mas você não discutiu, não me fez repensar, não me mostrou outros lados, outras perspectivas e eu insisti na distância. E no fim, nem eu nem você insistimos no lance. 

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Sobre formigas e flores
5 de dezembro de 2012 às 9:06 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
Eu não matei a formiga, Conrado, nem uma mísera formiguinha. Vê, eu cresci, meu amor, não mato mais formigas porque quero ser pura assim como você. Deixei que ela passeasse nos meus dedos, olhei para ela bem de perto, fiquei até vesga, senti suas patinhas e as anteninhas. Reprimi todos os impulsos de apertar um dedo no outro. Se orgulhe de mim, meu amor, não matei a formiguinha! Sou assim pura como você agora! Não, não tão pura, olha como eu fico, minha mão até sua só de pensar em mentir pra você, sua tanto que a formiguinha escorregou! Correu, correu de mim, Conrado! Igual você... Não estou brava, querido, pobre de mim! Dei minhas migalhas pra formiga, mas veja, disfarcei caridade, fingi que era bondade pura, ela se vingou, quis meu doce inteiro. Esfregou na minha cara o meu egoísmo e, sem saída, deixei que ela ficasse com o meu bolo. Afinal, eu tenho tanto, posso pegar mais na cozinha quando quiser, já a pobrezinha vive de migalhas. Você é como essa formiga, Conrado, feliz e pleno atrás de tão pouco... E eu faço bolos, tortas e pudins! Trago tudo de bandeja, mas a formiguinha corre dos meus dedos mansos. Sim, hoje eles são mansos porque já cansei da luta, até as unhas eu parei de roer, fingi ser forte para a batalha, mas hoje sei que de nada me vale. Hoje sou mansa como você, toda aquela força guardo no potinho. Tudo para abraçar sua pureza, querido. Quero ser como as flores que você cuida no seu jardim, quero ser a borboleta que passa no vento, só não quero mais formiguinha. A formiguinha só quer trabalho, tem pressa e vive correndo. Eu quero ser calma. 

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Jeito de menino (falando de amor)
4 de dezembro de 2012 às 3:25 PM | por Lorena Gonzalez Leal.
-Gosto de você assim, com carinha de menino. - Ela sorriu passando a mão por sua barba rala e mal feita.
-Você me ama? - Ele segurou a sua mão e a beijou devagar.
Ela riu abertamente, passou uns quinze segundos observando aqueles doces olhos castanhos e o sorriso tão bobo e tão lindo.
-Só você pra falar de amor numa hora dessas. - Levantou da cama ainda nua e foi até a cozinha.
-Por que você sempre foge quando eu falo de amor? – Recostou-se nos travesseiros, os braços fortes, porém magros cruzados atrás da cabeça.
-Você quer falar de amor? Vamos falar de amor... - Ele podia perceber o riso irônico em seu rosto, mesmo sem vê-la - O que você sabe sobre o amor?
-Não muito... Eu sei que eu gosto de você assim, cínica, com o rosto vermelho e o cabelo bagunçado. Mas também gosto de você maquiada, com o cabelo preso e batom vermelho. Isso é amor?
Ela entrou de novo no quarto vestindo a camisa cinza que ele deixou jogada na sala e trazendo na mão duas canecas de chocolate quente. Sentou com cuidado na cama e entregou uma das canecas para ele, a azul.
-Cuidado que tá quente. - Se encostou ao seu peito nu sentindo sua respiração calma e as batidas do coração - Eu gosto de você mesmo de alargador branco e piercing no septo. Isso é amor?
-Eu gosto de você mesmo você gostando mais de futebol do que eu. Mesmo você amassando toda a minha camisa usando pra dormir. E deixando todo o seu perfume nela.
-Posso deixar nesse canal ou você quer ver outra coisa? - Ela colocou o controle da tv na barriga dele e a caneca vermelha no criado mudo.
-Sabe, não ia fazer mal nenhum se você me falasse que me ama, não que eu não saiba disso... - Ele passava a mão carinhosamente em seu cabelo, sem tirar os olhos dos dela.
Ela sorriu, mas continuou olhando para a tv, deitou a cabeça no peito dele passando um braço por cima da sua cintura, ele beijou sua cabeça.
-Eu gosto de você assim, com carinha de menina.

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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