Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Uma canção de amor
15 de julho de 2012 às 10:25 PM | por Lorena Gonzalez.
Eu queria deixar claro que te odeio. Sim senhor, te odeio e não me venha com essa de eu nem te conheço! Te conheço sim e já te odeio. Ainda precisa que eu me explique? Pois eu não tenho que explicar nada! Que eu saiba, ainda sou livre o suficiente para odiar quem eu quiser odiar. Não me peça mais motivos, isso só faz eu te odiar ainda mais. E não precisa se preocupar, sou do tipo que odeia em silêncio. Bom, não exatamente em silêncio, vou falar mal de você pras minhas amigas, talvez fazer cara feia quando você chegar perto, quando eu te vir passar, quando ouvir falar sobre você ou quando sua foto aparecer por acaso na minha frente. É possível que eu comece a desprezar as coisas que você gosta, criticar o que você faz. A verdade é que eu sou autodestrutiva. É por isso que eu te odeio. Pode não fazer sentido para você, mas juro que é por isso. E não, senhor, não se gabe, você não é o único alvo desse meu ódio sem sentido. Odeio também os torcedores, revolucionários e agitadores em geral, odeio gatos, odeio aquela música... Aquela que todo mundo gosta, como é mesmo o nome? Não importa. Odeio filmes sobre desastres naturais ou espaçonave, principalmente quando juntam os dois temas. Odeio bala de caramelo e odeio que me digam que sabem como eu me sinto. Como pode ver, minha lista de ódios irracionais é bem grande. Nem comece com isso, odeio que me contrariem, assim como odeio que me defendam! E eu não estou fazendo uma cena! Alias, acho um pouco injusta essa expressão "fazer cena", "fazer drama" e até "fazer arte", como se fosse ruim fazer arte! Apesar de eu odiar quem chama o que faz de arte. Defina arte, por favor. Ei, calma, não me olhe assim! Desculpe, me prolonguei. Me perdi um pouco, é verdade. Mas é fácil se perder quando o assunto é o ódio. Você começa apenas odiando alguma coisa, quando vê já mal consegue separar... Lá vou eu de novo, não é mesmo? Eu sei, estou começando a te irritar... Viu, eu até entendo que você me odeie, é fácil me odiar, eu consigo ser extremamente irritante. Mas nem por isso você precisa ficar aí declarando seu ódio por mim pra quem quiser ouvir! Eu também tenho sentimentos sabia? Não é porque a gente odeia alguma coisa que precisa ficar falando disso... Veja o meu exemplo, eu te odeio e nem por isso fiz um blog só pra te odiar em público. A não ser pelo fato de eu ter feito isso mesmo. Mas eu não sou um bom exemplo. E além disso, eu te odeio.

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Doce Incoerência
12 de julho de 2012 às 3:20 PM | por Lorena Gonzalez.
Nós nunca daríamos certo, eu odeio perfume doce. Eu sei que nós temos muito pouco em comum, quase nenhum dos nossos gostos bate. Mas isso nunca foi problema. Até eu descobrir que você gosta de perfume doce. Não tem nada de errado em gostar de perfume doce, a não ser o fato de que eu odeio. Me enjoa e, desculpe, mas não estou disposta a trocar de perfume por você. Se eu tivesse alguma garantia...
Analisei os fatos, pensei muito no assunto, mais até do que eu devia. Cheguei a conclusão de que é melhor não entrar em detalhes, é melhor deixar passar. Mas depois, pensando mais um pouco, percebi que não sou muito boa em fingir que nada aconteceu. Tá vendo? Nem nisso nós combinamos. Você é muito bom em fingir que nada aconteceu. 
Então ficamos assim. Cada um com seus gostos, gestos, cheiros. Deixo você com seus perfumes doces, enquanto eu curto os amadeirados. Mais do que isso, deixo você com suas manias e histórias, volto a ocupar aquele lugarzinho quase esquecido no canto da sala, volto a ser a narradora observadora e deixo que os personagens se ocupem em participar. 
E não venha me dizer pra sair dessa tristeza, não venha me dizer que eu estou num momento ruim. Qualquer mudança é boa. A monotonia e a constância é que me matam. É difícil conciliar todos os meus desejos. Ainda mais difícil é conciliar meus medos. Mas isso não deve te preocupar. Concentre-se no que é seu, nós não sentimos a perda do que nunca tivemos. 
Tem coisas que prefiro guardar pra mim mesma, e às vezes quero morrer de tanta vontade de compartilhar. São essas pequenas incoerências que definem quem somos. Afinal, como uma coisa tão errada pode nos fazer tão bem? Aqueles cinco minutos passaram como segundos de euforia fazendo o resto da noite parecer longa e interminável além de muito tediosa. Esqueci até do modo correto de usar a pontuação, me perdi, queria te ver de novo. Mas já não sei manter conversas. Nunca fui do tipo muito comunicativo, gosto do silêncio. Ainda assim, não gosto de perfume doce.  

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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