Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Falando em amor...
10 de dezembro de 2011 às 11:41 PM | por Lorena Gonzalez.
É possível ter mais de um amor? É possível ter mais de um amor ao mesmo tempo? Eu não acredito nessa história de um único amor eterno. Eu tive muitos amores e ainda tenho cada um deles. Dos realizados guardo aquele amor que se mistura com a saudade. Dos não realizados fica essa esperança e a sensação de perda ou sei lá o nome disso. Acredito também em desamor que nunca deixa de ser um amor e não deveria ser tirado de nós. Porque não tem nada pior do que ver o nosso desamor tão bem cultivado sendo empurrado para outra pessoa. A vontade que me dá é de gritar "Ei, peraí, esse é o meu desamor! Você não vai conseguir nada com ele. Pode até parecer um amor quando se olha assim de relance, mas é só um velho desamor..." Na verdade acho que eu prefiro sofrer por amor do que ser plenamente realizado. Não sei, existe uma certa emoção a mais no desamor. Por isso os cultivo com tanto cuidado e carinho e os guardo até com certa alegria. Existe um prazer oculto em olhar nos olhos daquele desamor, sorrir, e tirá-lo pra dançar. Não que não seja prazeroso dançar com um amor bem resolvido, mas é diferente. Você também não sente? Poderia fazer aqui uma listagem dos meus amores, contaria minha história e mataria vocês de tédio. Acho muito mais emocionante falar sobre o que não deu certo, o que, de certa forma, foi melhor assim. Afinal, são as decepções amorosas que nos constroem, pode me chamar de maluco, mas acho muito mais fácil manter um desamor do que um relacionamento saudável. É muito mais fácil manter os olhares de reprovação ensaiada para tudo o que a pessoa faz ou deixa de fazer, é muito mais fácil manter um relacionamento frio, não rir mais das piadas sem graça, não dar atenção as gracinhas e fazer só os comentários irônicos. A parte difícil disso tudo é não poder perguntar pra ninguém se ela vai estar lá, é ter que olhar de longe enquanto ela dança com outro cara, é não poder dizer o quanto ela está linda essa noite, é ter que ver seu sorriso e saber que ela nem se importa que eu não esteja ali, é saber que ela está sendo apenas educada enquanto dança comigo, porque, na verdade, para ela nunca aconteceu nada. Alias, se ela se importasse, eu teria tanta coisa para dizer. Diria que não importa mais o que aconteceu antes, diria que eu ainda tenho esperanças, que eu até sinto falta... E então tudo ficaria bem, talvez finalmente perdesse a graça. Talvez eu ficasse feliz e satisfeito por um tempo... Mas provavelmente eu ficaria entediado, eu procuraria defeitos, eu voltaria pro desamor. Por isso geralmente eu escolho a distancia. Assim, não importa o quanto as coisas estejam indo bem, eu sempre tenho do que reclamar. Me incomoda saber que não importa quantos amores venham, seus olhos azuis ainda me incomodam e os olhos castanhos que vieram antes e os verdes que às vezes voltam pra me assombrar. Gosto particularmente desses desamores que vem e vão. Você esquece que eles existem, aí quando menos se espera, voltam com tudo, parece que querem compensar todo esse tempo em que não estiveram presentes. E você começa a imaginar o mundo inteiro se esse desamor tivesse sido um amor... É capaz até de deixar o amor só pela possibilidade do desamor... Eu fico sempre preso nesse ciclo, imagino se algum dia vou conhecer alguém que me faça esquecer todos os desamores e possíveis amores e me deixe feliz e satisfeito...

3 comentários

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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