Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Amor do tudo e do nada
9 de outubro de 2011 às 10:56 PM | por Lorena Gonzalez.
Acordei para o amor. Naquele dia eu senti que seria o dia, que eu estava pronta para encontrar o amor que me fosse imposto (pelo destino, pela sorte, pelo o que quer que me trouxesse o amor). Não tinha nenhuma exigência, não faria distinção, o amor que me viesse seria aceito e correspondido.
Correspondido sim, não importando de quem viesse. Pois acordei naquele dia achando que tinha sido feita para o amor única e exclusivamente. Talvez tenha sido por causa do sonho que tive aquela noite, uma epifania beirando a catarse.
Sonhei que dançava sozinha num palco, a luz solitária iluminando unicamente meu corpo que se balançava de um lado para o outro. Nenhuma música tocava, o que dava o ritmo era o amor que tentava sair do meu corpo quebrando qualquer barreira. O amor que machucava e apertava fazendo com que eu me contraísse, me dobrasse e tentasse fugir. O amor que era meu e queria ser do outro, tentava, sem pudor algum, escapar-me do corpo a qualquer custo para atingir um novo eu e um novo outro. O amor que eu segurava e prendia, mas escorria-me por entre os dedos. O amor que eu puxava e arrancava tentando alcançar a raiz que, por sua vez, se aprofundava e se escondia e grudava e colava.
E em meio a toda essa dança, esse jogo, essa fuga, essa prisão voluntária eu me perdi. Encontrei-me também e encontrei o eu e encontrei o outro, o novo e o velho. O amor me foi esquecido e me foi logo depois lembrado. O amor me foi tirado e logo depois devolvido. O amor me foi perdido e logo depois achado. O amor me foi devolvido e logo depois tirado.
Logo depois tirado do peito que arfava e tremia e suava e que agora estava vazio. Vazio de tudo, do amor, do eu, do outro... Vazio até do vazio que não restava porque não existia, fugiu.
Nesse vazio de tudo até do vazio crescia alguma coisa. Nascido do nada, criado por tudo, o vazio crescia e por isso mesmo diminuía. Diminuía porque quando crescia deixava de ser vazio, passava a conter o vazio dentro dele deixando de ser vazio de tudo para ser cheio de nada. E cheio de nada machuca porque não é fácil ter dentro do peito o nada.
Carregar o nada é esquecer-se de tudo sem esquecer-se de nada e cuidar dele é um peso enorme. Um peso que só não é maior que o nada, que te faz entender o tudo e entender o nada. E a partir do momento que se entende, se ama. Mas se ama com um amor que só é entendido por quem entende o tudo e entende o nada. Porque assim se entende o amor e se ama.
Um amor puro e entendido como tudo e nada, às vezes até despercebido porque não é fácil reconhecer o tudo e o nada e entender como amor. É preciso sentir o peso do vazio para entender a leveza do nada. E do tudo. E o amor no meu sonho.
Porque o amor no sonho é mais bonito. Ele se explica e todo mundo entende. Mas hoje eu acordei do sonho sem sair dele. Acordei para o amor.

4 comentários

Posts antigos. | Posts mais novos.
Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




Agradecimentos.

Skin:Júlia Duarte.
Basecode:Jaja
Best view:Google Chrome