Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Três versões de palavras não ditas
26 de setembro de 2011 às 10:14 PM | por Lorena Gonzalez.
Eu poderia contar essa história apenas uma vez, dando um jeito de expressar os três pontos de vista, porém, prefiro contar três histórias diferentes mantendo a fidelidade de cada versão. Tudo começou com um menino, uma menina e uma bagagem de coisas não ditas.
-Você ta brava comigo?
-Por que eu estaria brava com você?
-Ah, sei la... Você ta tão séria.
-Eu sou sempre séria.
-Você não era assim comigo.
-É porque eu to cansada...
-Pelo menos você não tem uma viagem inteira pela frente.
E terminou com um abraço e uma despedida quase que sem palavras. E como eu poderia misturar essa história tão simples com uma menina magoada e um menino indeciso e inseguro? Por isso agora eu conto a segunda história que envolve uma menina cansada e um menino que não quer perder nada no final de uma longa viagem.
-Você ta brava comigo?
-Por que eu estaria brava com você?
-Ah, sei la, por causa dela... Você não viu nada? Ta tão séria...
-Eu sou sempre séria.
-Você não era assim comigo, achei que tinha percebido alguma coisa... Mas ainda bem que nem viu, é melhor assim.
-Eu só to cansada...
-Pelo menos você não tem uma viagem inteira pela frente.
E isso nos leva diretamente para a última história, a que eu gosto mais... É também a mais difícil de escrever fielmente porque envolve sentimentos demais para papel de menos. Mais uma vez começa com uma menina e um menino.
-Você ta brava comigo?
-Se você precisa perguntar, se você não percebeu ainda, não vale a pena nem eu responder.
-Você ta tão séria...
-E como você queria que eu tivesse?
-Você não era assim comigo.
-Eu não sabia que você era assim. E agora eu to cansada, não preciso de mais ninguém pra me mostrar que vocês são todos iguais e que isso nunca vai mudar. Cansei até de me preocupar em entender...
-Pelo menos você não tem uma viagem inteira pela frente.
Essa história também termina com um abraço e uma despedida que, por mais que ela tentasse, continua quase sem palavras.

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Fica, vai ter acerejadotopo.blogspot.com
15 de setembro de 2011 às 9:39 PM | por Lorena Gonzalez.

A Cereja do Topo eternizada no muro do colégio

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E eu te pergunto o que será do nosso amor
5 de setembro de 2011 às 10:00 PM | por Lorena Gonzalez.
É incrível como, quanto mais o tempo passa, mais eu descubro coisas sobre você. Coisas que você não tem capacidade de me contar pessoalmente. Talvez você não tenha coragem, o que me deixa indignada. Afinal, depois de todo esse tempo, depois de tudo o que a gente passou, você deveria ter aprendido...
Eu não sei se você não confia em mim, não sei porque não consegue se abrir comigo. Queria saber porque você se comporta tão diferente comigo, porque não consegue ser comigo o mesmo que é com os outros. Não é como se eu tivesse te conhecido ontem... Não é como se eu não tivesse te perdoado.
Tudo bem se você não quiser entrar nesse assunto, eu também não quero. Ta morto e enterrado. Mas você tem que saber que eu continuo aqui e que eu ainda sou a mesma. Você pode me contar o que você quiser, eu vou ouvir e respeitar assim como eu faço com qualquer outro amigo.
O que me irrita é continuar descobrindo pelos outros pelo caminho coisas sobre você. Coisas que mudam tudo. Mudam o significado de uma convivência inteira. Porque é só isso que tem sobrado pra nós dois, uma convivência...
Uma convivência rasa sem significado algum, acontece que eu to cansada de meras convivências, ou meras conveniências. Ainda mais com alguém que, pra mim, ainda é tão importante. Talvez nem tão importante, mas nós dois sabemos que tirar você da minha vida traria muitos contratempos.
Então por que você não facilita as coisas pra nós dois e me diz o que eu faço com você. A última coisa que eu preciso é a sua indecisão.
 











o titulo é uma referência à música "Mapa-Múndi" do Thiago Pethit

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Veneno, sal e água
1 de setembro de 2011 às 12:59 PM | por Lorena Gonzalez.
Só um amor cura o outro. Então como se cura a própria cura? Um terceiro amor para curar o segundo que deveria ser, e um dia até foi, a cura do primeiro não causaria uma overdose... Se um novo amor é a cura do problema que é um antigo amor então é como beber veneno para anular o efeito de um veneno que já foi bebido, ingerido e assimilado.
O que, afinal, define um velho amor? É como se tivesse prazo de validade. Você cansa de um amor que já tem a tanto tempo e que machuca porque é um veneno e aí compra um novo, limpinho, que não machuca porque o veneno ainda é fraco. É preciso tempo pro veneno entrar em ação. E um veneno assim tão novinho inibe o velho que fica com vergonha e se esconde e não machuca mais.
Porque é o tempo que faz o amor machucar. E é fácil ver quem foi envenenado porque, mesmo fraquinho, tem ação instantânea. São os efeitos colaterais de um veneno anulando o outro. Alguns são diluídos em água pra tornar mais rápida a eliminação. Mas pode demorar dias pra ser eliminado, às vezes sobra um restinho que vai caindo pelo canto do olho e escorre pelo rosto.
Depois de eliminado o veneno antigo sobra o novo crescendo, rindo da gente que nem sabe que morre por dentro, nem sabe que vai precisar de outro veneno quando este crescer demais. O veneno crescendo deixa a gente leve, como se tivesse uma bexiga no peito que enche de ar e faz voar. E tem a música que não para de tocar, que é pra gente não conseguir ouvir os próprios pensamentos! Tem hora que fica tão alta que parece que todos os anjos do céu tão cantando na nossa cabeça e aí é tarde, o veneno já impregnou...
Veneno impregnado, amor curado. Ou talvez amor impregnado, veneno curado? Mas se o amor é o veneno do amor e o veneno a cura do amor... Não encontrei até hoje alguém que não tenha caído na confusão de trocar amor por veneno. Confusão essa que pode ser fatal porque curar amor com amor funciona, mas curar amor com veneno ou veneno com amor é o mesmo que curar sal com água, que se misturam e se tornam um só sal ou uma só água. Só se cura sal com sal assim como amor com amor e veneno com veneno.

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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