Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Pensei em escrever, mas desisti
18 de julho de 2011 às 11:35 PM | por Lorena Gonzalez.
Pensei em escrever sobre a vida, mas isso me fazia lembrar de você (o que era tudo o que eu não queria). Me encontrei, então, diante de um problema: sobre o que escrever se não sobre a vida? Se bem que, vida é muito amplo, poderia escolher alguma coisa que não incluísse você! Poderia escrever sobre o tempo, mas esse já se tornou um tema batido. Sobre o universo eu nem me atrevo. E o meu universo, bom, aí eu voltava pra você. Talvez se eu escrevesse sobre coisas que eu gosto... Aí eu não teria que pensar em você, porque, afinal, eu odeio o seu jeito, odeio seu sorriso, seus irritantes olhos azuis, sua mania de me segurar pela cintura enquanto conversa comigo. Odeio tudo o que você gosta, as músicas que você ouve, os livros que você lê, os sites que você entra, os filmes que você vê, os jogos que você joga, odeio as coisas que você gosta de comer, odeio os esportes que pratica, odeio o perfume que você usa. E foi assim que eu me perdi e esqueci de escrever sobre o que eu gostava. Comecei a achar que meu problema não era nem o tema a ser escrito, mas o formato... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser. Mas mesmo na prosa são tantos gêneros, poderia ser uma crônica, mas minha única crítica seria sobre você, poderia ser uma fábula, a não ser pelo fato de que eu odeio fábulas, poderia ser uma carta, mas uma carta pra quem senão você? Decidi por um romance, talvez um drama sobre uma família do subúrbio. Sim, essa era uma ótima ideia! Uma família composta por um pai e três filhos, não, duas filhas. Duas filhas e o que mais? Travei, foi colocar a caneta no papel e não saiu uma palavra sequer. E se eu fizesse uma comédia em vez de um drama? Seria mais fácil, não? Não... Tive a mesma dificuldade, horas encarando o papel e não consegui escrever nem a primeira linha. E mesmo assim, sentia uma necessidade crescente de escrever, de vomitar um turbilhão de sentimentos naquela folha em branco. Mas que sentimentos eram esses, tão intensos a ponto de me deixar sem palavras? Então, desisti, abandonei minha caneta, deixei a folha com apenas uma frase escrita involuntariamente, uma frase que continha o que eu mais odeio e tudo o que eu mais gosto. Deixei o papel com seu nome escrito.

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Mergulhada em Nostalgia
7 de julho de 2011 às 10:18 PM | por Lorena Gonzalez.
Esses dias nos quais a gente decide olhar pra trás, ler textos velhos, conversas velhas, ver fotos velhas, posts velhos, e aí você percebe como nada daquilo é velho. Foi ontem mesmo, ontem mesmo você tava sonhando com aquilo, planejando, rindo, esperando, contando e agora, de repente, querem te convencer de que foi a décadas atrás. E você fica se perguntando como é que tudo ficou tão distante, quando foi que o tempo passou e como essas pessoas que eram tão presentes ficaram pra trás. E você sente vontade de voltar, só pra poder fazer tudo de novo, você ri sozinha lembrando, morre de vergonha alheia até de você mesma, você vê as fotos e não acredita que as pessoas possam mudar tanto. Sua vontade é correr pra todas as redes sociais e gritar pro mundo que você quer esse tempo de volta, essas pessoas de volta, essas risadas de volta. Não é que você não queira crescer, afinal quem não sonha com a faculdade? Você só quer se sentir daquele jeito de novo. Acho que o pior de tudo é saber que todas essas pessoas estão presentes nas suas redes sociais da internet, você as vezes até curte as fotos deles no facebook, da uma outra estrelinha, mas não passa disso...

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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