Cereja do Topo, por Lorena Gonzalez.

Sobre o futuro
1 de janeiro de 2011 às 6:34 PM | por Lorena Gonzalez.
-Sabe, quando eu crescer eu vou ser bem rica. - Ela falou rindo, olhando o céu azul.
-Quando você crescer? - Ele olhava pra ela sorrindo. - E como é que você vai ser bem rica?
-Eu vou ser uma estilista muito famosa. Terei minha própria grife, farei desfiles em todos os lugares do mundo, terei uma casa em cada país da Europa.
-Isso é perfeito. Você nem imagina como facilitou a minha vida. - Ele colocou os braços em baixo da cabeça, tirou a grama do cabelo e voltou a deitar. Ela o olhava confusa - Sendo assim, como eu vou casar com você, não vou precisar nem fazer faculdade. Você vai ser rica mesmo. Vou ficar o dia inteiro em casa, sem fazer nada...
-Ah, tudo bem, você fica cuidando das crianças. - Ela olhou para o céu de novo, sorrindo tirou o cabelo de baixo da nuca.
-Ótimo, eu vou adorar ficar cuidando do Thiago e do Daniel.
-E a Amanda. Por favor, não esqueça a Amanda. - Ela cruzou os braços séria - Se você ficar jogando com os meninos e esquecer da Amanda de novo, eu vou ficar muito muito brava.
-Eu já pedi desculpas um milhão de vezes! - Ele se apoiou no cotovelo pra ficar de frente pra ela - Como é que eu ia imaginar que ela ia se enfiar dentro do forno? Além do mais, o forno estava quebrado.
-Sorte sua, porque se não, quebrado ia ficar o seu nariz! Pensando bem, eu estou mudando de ideia sobre deixar os meus filhos com você.
-Aaaaah, agora eles são seus filhos? Que eu me lembre bem, eles eram nossos quando eu passei uma semana lavando o cabelo deles com remédio contra piolho enquanto você estava em Tóquio apresentando a coleção de inverno.
-Bom, não fui eu que passei piolho pra eles... - Ela deu de ombros, mas se arrependeu - Me desculpe, eu não devia ter falado desse jeito... Eu sei que você se esforça pra cuidar deles, mas, sabe como é, eu me preocupo com eles...
-E você acha que eu não? Eles são meus filhos também, eu me preocupo tanto quanto você. Assim como eu me preocupo com você também, e é por isso que eu me esforço tanto... Eu quero que isso de certo pra nós dois e pra eles...
-É, eu sei. E ta dando certo. Eles são crianças ótimas. - Ela deu um sorriso triste. - Eu me sinto culpada por passar tanto tempo fora, viajando, trabalhando.
-Eles te amam e entendem que o seu trabalho exige um pouco mais de você. Mas eles te adoram, eles adoram quando te vêem na TV, eles adoram contar pros amiguinhos que a mãe deles que faz aquelas roupas tão legais! - Ele sorria pra ela.
-Sabe, eu nunca poderia ter me casado com alguém melhor. - Ela sorriu também.
Os dois ficaram por um tempo em silêncio, apenas olhando o céu.
-Você se lembra? - Ela o olhava.
-Me lembro do que? - Ele estava intrigado, não conseguia entender o olhar dela. Nunca conseguiu.
-Do nosso casamento. - Ela voltou a olhar o céu rindo.
-Claro - Ele ria também - Você estava linda, vestido branco, seu pai me olhava como se tivesse perdido um jogo de golfe pra mim e eu tivesse levado o troféu.
-Minha mãe chorava como não sei o que. A igreja toda decorada com margaridas laranjas, a daminha era tão bonitinha... E tocou Yann Tiersen quando eu entrei. - Ela olhava sonhadora para as nuvens que passavam pelo céu.
-E a comida da festa, meu Deus, tava maravilhosa! Aquele bolo de chocolate com sorvete.
-O bolo era de chocolate com morango, o sorvete veio separado...
-Não veio não. O bolo era só de chocolate e o sorvete tava junto!
Ela revirou os olhos e os dois ficaram novamente em silêncio. As nuvens passavam vagarosas pelo céu azul. Uma borboleta que voava por ali pousou na barriga dela.
-E a lua de mel? - Ele perguntou animado e curioso.
-Uma viagem super romântica para Paris. Uma semana lá e depois uma volta pela Europa inteira.
-Ah, não... Tinha que ser uma coisa mais emocionante, tipo a Nova Zelândia ou Bariloche.
-Nova Zelândia é legal também, mas Paris é muito mais "recém-casados"... Alias, a Europa inteira é mais romântica.
-Quem liga? Eu quero emoção! Diversão e esportes radicais. E praia. Muita praia... Isso sim é uma viagem divertida.
-Eu não quero praticar esportes radicais na minha lua de mel, obrigada. - Ela ficou observando a borboleta que ainda estava pousada em sua barriga.
-E eu não quero ficar carregando sacolas de compra por toda Europa. - Ele olhava para ela.
-Então você não devia ter casado comigo. - Ela riu. Eles ouviram uma buzina. - Eu tenho que ir, a gente se vê amanhã.
Ela levantou sorrindo e correu até o carro. Ele continuou deitado por algum tempo. Viu a borboleta voar para longe, olhou as nuvens, riu sozinho. Pegou sua bicicleta e foi para casa.

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Lorena.

Paranaense, estudante de moda, escorpiana, chocólatra, impaciente, curiosa, desorganizada, ansiosa. Eu tenho um macaco azul e um sapo de aparelho, nunca tive amigos imaginários e no dia da Toalha eu levo a minha para todos os lugares. Dou risada em filme de terror, adoro cama-elástica, algodão doce e maçã do amor, acho divertido subir em árvores. Adoro escrever... Não me atreveria jamais a escrever um poema, sei que meu lugar é a prosa, o verso eu deixo pra quem quiser.

Sobre o blog.

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."




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